Dia Mundial da Incontinência Urinária
- Enf. Ana e Raquel
- 14 de mar. de 2018
- 3 min de leitura
A incontinência urinária é caracterizada por perdas urinárias involuntárias que se apresentam de forma muito diversificada, desde fugas muito ligeiras e ocasionais, a perdas mais graves e regulares.
Em Portugal, cerca de 33% das mulheres e 16% dos homens com mais de 40 anos de idade apresentam sintomas de incontinência urinária - ou seja, um em cada 5 portugueses nesta faixa etária sofre deste problema. Enquanto 10% procura a ajuda do médico, os restantes escondem o problema: automedicam-se e isolam-se (Viana, Marinho, 2018).
A Incontinência Urinária pode ser classificada em…
Incontinência de Esforço, quando as perdas de urina estão associadas ao esforço físico (espirrar, tossir).
Incontinência por imperiosidade, quando está associada a uma vontade imperiosa de urina, uma vontade incontrolável.
Incontinência mista combinação da incontinência de esforço com a incontinência de urgência.
Incontinência por extravasamento as perdas de urina acontecem quando a bexiga suporta grandes volumes de urina e a pressão do líquido é tão grande que ultrapassa a resistência uretral.
Incontinência funcional causada por incapacidade do doente, em casos de demência ou lesão neurológica grave, como por exemplo Alzheimer ou Parkinson.
Enurese nocturna perdas de urina durante o sono. É frequente em crianças, mas podem ocorrer também em idade adulta (Aguiar, s.d).
Segundo a International Continence Society (ICS), para além de ser um problema de saúde e de higiene, a perda de urina é uma situação com repercussões a nível social e pessoal. Este é um problema que provoca vergonha e estigma e leva muitas vezes ao isolamento (Viana, Marinho, 2018).
O diagnóstico é feito de forma simples, através do diálogo entre paciente e médico e um exame físico, em que, através de pequenas manobras, tenta mimetizar o que acontece com a bexiga quando se dão as perdas de urina.
No que respeita o tratamento, têm sido efetuadas, na última década, importantes descobertas. Existem, inclusivamente, formas de incontinência urinária que são tratadas com medicamentos ou técnicas de reabilitação e a maioria das cirurgias quase não implicam internamento, sendo a vida normal retomada com brevidade (Aguiar, s.d).
O tratamento cirúrgico desempenha um papel preponderante na incontinência
urinária de esforço, tanto na mulher como no homem. Para a incontinência urinária de esforço, a cura é possível em cerca de 90% dos casos (Viana, Marinho, 2018).
Na incontinência urinária por imperiosidade, o tratamento com fármacos orais (cuja ação estabiliza o músculo vesical – o detrusor - inibindo a sua contração involuntária) consegue melhorias sintomáticas na maioria dos doentes.
O tratamento cirúrgico mais utilizado na incontinência de esforço consiste na colocação de pequenas redes, de material sintético sob a uretra. Estas são colocadas por via vaginal, através de uma incisão com cerca de 1 centímetro.
Também os homens submetidos a prostatectomia radical que ficaram incontinentes podem ser tratados com redes suburetrais para a incontinência urinária de esforço (Aguiar, s.d).
Atualmente existem no mercado vários tipos de materiais de apoio à pessoa incontinente, tais como: fraldas e pensos de variadas dimensões e roupa interior adaptada que se utiliza da mesma forma que a restante roupa íntima de cada indivíduo.
A Incontinência Urinária interfere com a vida familiar e social, causa embaraço, afeta a autoestima e diminui consideravelmente a qualidade de vida. Se tem alguns dos sintomas referidos neste artigo, consulte o seu médico (Aguiar, s.d).

Referências bibliográficas
Aguiar, Sofia (s.d). Incontinência urinária. Associação portuguesa de urologia, Associação Portuguesa de Neurourologia e Uroginecologia.
Viana, S.; Marinho, V (2018). Semana da Incontinência urinária: Vergonha pode estar a travar a cura. Associação portuguesa de urologia.