Dados do observatório da nutrição e alimentação em Portugal
- Psic. Cláudia Esteves
- 22 de mar. de 2018
- 2 min de leitura
Numa altura em que nunca se falou tanto de alimentação saudável e exercício físico, em que temos acesso a tanta informação, como é que continuamos a ser um país em que mais de metade da população tem excesso de peso e as nossas crianças fazem parte dos países com mais excesso de peso infantil? Esta questão é colocada diariamente por profissionais de saúde e acreditamos que talvez também já tenha refletido um pouco sobre este problema de saúde pública.
A Ordem dos Psicólogos Portugueses (OPP) participou em 2015 na 1ª edição do Observatório da Nutrição e Alimentação em Portugal. Segundo a OPP, a nutrição e o comportamento alimentar, além da sua dimensão fisiológica, têm um significado psicológico e é a este que é fundamental atender, para compreendermos as problemáticas que daí advêm.
Além das perturbações do comportamento alimentar (Anorexia, Bulimia e Ingestão Compulsiva), também os casos de excesso de peso e obesidade necessitam da nossa atenção, onde é fundamental a atuação de uma equipa multidisciplinar, onde o papel da psicologia é de extrema importância.
Os dados que se seguem fazem parte de uma amostra de 1.221 representativa da população portuguesa.
1 em cada 3 pessoas está insatisfeita com o seu peso.
1 em cada 5 pessoas está insatisfeita com a sua ima
gem corporal.
24,6% dos homens com excesso de peso, consideram não o ter.
13,9% das mulheres com excesso de peso, consideram não o ter.
8,2% das mulheres relatam ter excesso de peso sem o ter.
41,9% das pessoas têm dificuldade em manter a dieta quando se sentem tristes ou com ansiedade.
33,4% das pessoas referem sentir alterações de humor quando seguem a sua dieta.
36,0% das pessoas já tiveram algum episódio de ingestão compulsiva de alimentos ao longo da vida.
São dados alarmantes. São problemáticas pouco faladas, mas que, para quem as experiência, constituem um grande sofrimento interno e luta diária, a cada refeição, a cada confronto com o espelho, ou “simplesmente” cada dia em que se têm de vestir e nada parece assentar bem e têm de enfrentar o mundo.
Estes dados espelham como os acompanhamentos ao nível nutricional e de atividade física podem beneficiar da intervenção da psicologia, ao atender estas questões, promovendo assim, a obtenção dos resultados desejados, que passam em grande parte por “simplesmente” nos sentirmos melhor no nosso próprio corpo!
O acompanhamento psicológico, neste âmbito, ajudará a ter maior controlo no comportamento alimentar, a definir metas razoáveis e estratégias de manutenção a longo prazo; fornecer competências para lidar com as dificuldades que vão surgindo; conseguir mais facilmente distinguir a fome e a vontade de comer; a gerir adequadamente as emoções e impulsos que levam a comer em excesso; bem como auxiliar a lidar adequadamente com a motivação, avanços e recuos ao longo do processo, que se espera que seja “a longo prazo”, para a vida.
Por uma vida mais saudável.
