- Psic. Cláudia Esteves
Numa altura em que nunca se falou tanto de alimentação saudável e exercício físico, em que temos acesso a tanta informação, como é que continuamos a ser um país em que mais de metade da população tem excesso de peso e as nossas crianças fazem parte dos países com mais excesso de peso infantil? Esta questão é colocada diariamente por profissionais de saúde e acreditamos que talvez também já tenha refletido um pouco sobre este problema de saúde pública.
A Ordem dos Psicólogos Portugueses (OPP) participou em 2015 na 1ª edição do Observatório da Nutrição e Alimentação em Portugal. Segundo a OPP, a nutrição e o comportamento alimentar, além da sua dimensão fisiológica, têm um significado psicológico e é a este que é fundamental atender, para compreendermos as problemáticas que daí advêm.
Além das perturbações do comportamento alimentar (Anorexia, Bulimia e Ingestão Compulsiva), também os casos de excesso de peso e obesidade necessitam da nossa atenção, onde é fundamental a atuação de uma equipa multidisciplinar, onde o papel da psicologia é de extrema importância.
Os dados que se seguem fazem parte de uma amostra de 1.221 representativa da população portuguesa.
1 em cada 3 pessoas está insatisfeita com o seu peso.
1 em cada 5 pessoas está insatisfeita com a sua ima
gem corporal.
24,6% dos homens com excesso de peso, consideram não o ter.
13,9% das mulheres com excesso de peso, consideram não o ter.
8,2% das mulheres relatam ter excesso de peso sem o ter.
41,9% das pessoas têm dificuldade em manter a dieta quando se sentem tristes ou com ansiedade.
33,4% das pessoas referem sentir alterações de humor quando seguem a sua dieta.
36,0% das pessoas já tiveram algum episódio de ingestão compulsiva de alimentos ao longo da vida.
São dados alarmantes. São problemáticas pouco faladas, mas que, para quem as experiência, constituem um grande sofrimento interno e luta diária, a cada refeição, a cada confronto com o espelho, ou “simplesmente” cada dia em que se têm de vestir e nada parece assentar bem e têm de enfrentar o mundo.
Estes dados espelham como os acompanhamentos ao nível nutricional e de atividade física podem beneficiar da intervenção da psicologia, ao atender estas questões, promovendo assim, a obtenção dos resultados desejados, que passam em grande parte por “simplesmente” nos sentirmos melhor no nosso próprio corpo!
O acompanhamento psicológico, neste âmbito, ajudará a ter maior controlo no comportamento alimentar, a definir metas razoáveis e estratégias de manutenção a longo prazo; fornecer competências para lidar com as dificuldades que vão surgindo; conseguir mais facilmente distinguir a fome e a vontade de comer; a gerir adequadamente as emoções e impulsos que levam a comer em excesso; bem como auxiliar a lidar adequadamente com a motivação, avanços e recuos ao longo do processo, que se espera que seja “a longo prazo”, para a vida.
Por uma vida mais saudável.

- Enf. Ana e Raquel
A incontinência urinária é caracterizada por perdas urinárias involuntárias que se apresentam de forma muito diversificada, desde fugas muito ligeiras e ocasionais, a perdas mais graves e regulares.
Em Portugal, cerca de 33% das mulheres e 16% dos homens com mais de 40 anos de idade apresentam sintomas de incontinência urinária - ou seja, um em cada 5 portugueses nesta faixa etária sofre deste problema. Enquanto 10% procura a ajuda do médico, os restantes escondem o problema: automedicam-se e isolam-se (Viana, Marinho, 2018).
A Incontinência Urinária pode ser classificada em…
Incontinência de Esforço, quando as perdas de urina estão associadas ao esforço físico (espirrar, tossir).
Incontinência por imperiosidade, quando está associada a uma vontade imperiosa de urina, uma vontade incontrolável.
Incontinência mista combinação da incontinência de esforço com a incontinência de urgência.
Incontinência por extravasamento as perdas de urina acontecem quando a bexiga suporta grandes volumes de urina e a pressão do líquido é tão grande que ultrapassa a resistência uretral.
Incontinência funcional causada por incapacidade do doente, em casos de demência ou lesão neurológica grave, como por exemplo Alzheimer ou Parkinson.
Enurese nocturna perdas de urina durante o sono. É frequente em crianças, mas podem ocorrer também em idade adulta (Aguiar, s.d).
Segundo a International Continence Society (ICS), para além de ser um problema de saúde e de higiene, a perda de urina é uma situação com repercussões a nível social e pessoal. Este é um problema que provoca vergonha e estigma e leva muitas vezes ao isolamento (Viana, Marinho, 2018).
O diagnóstico é feito de forma simples, através do diálogo entre paciente e médico e um exame físico, em que, através de pequenas manobras, tenta mimetizar o que acontece com a bexiga quando se dão as perdas de urina.
No que respeita o tratamento, têm sido efetuadas, na última década, importantes descobertas. Existem, inclusivamente, formas de incontinência urinária que são tratadas com medicamentos ou técnicas de reabilitação e a maioria das cirurgias quase não implicam internamento, sendo a vida normal retomada com brevidade (Aguiar, s.d).
O tratamento cirúrgico desempenha um papel preponderante na incontinência
urinária de esforço, tanto na mulher como no homem. Para a incontinência urinária de esforço, a cura é possível em cerca de 90% dos casos (Viana, Marinho, 2018).
Na incontinência urinária por imperiosidade, o tratamento com fármacos orais (cuja ação estabiliza o músculo vesical – o detrusor - inibindo a sua contração involuntária) consegue melhorias sintomáticas na maioria dos doentes.
O tratamento cirúrgico mais utilizado na incontinência de esforço consiste na colocação de pequenas redes, de material sintético sob a uretra. Estas são colocadas por via vaginal, através de uma incisão com cerca de 1 centímetro.
Também os homens submetidos a prostatectomia radical que ficaram incontinentes podem ser tratados com redes suburetrais para a incontinência urinária de esforço (Aguiar, s.d).
Atualmente existem no mercado vários tipos de materiais de apoio à pessoa incontinente, tais como: fraldas e pensos de variadas dimensões e roupa interior adaptada que se utiliza da mesma forma que a restante roupa íntima de cada indivíduo.
A Incontinência Urinária interfere com a vida familiar e social, causa embaraço, afeta a autoestima e diminui consideravelmente a qualidade de vida. Se tem alguns dos sintomas referidos neste artigo, consulte o seu médico (Aguiar, s.d).

Referências bibliográficas
Aguiar, Sofia (s.d). Incontinência urinária. Associação portuguesa de urologia, Associação Portuguesa de Neurourologia e Uroginecologia.
Viana, S.; Marinho, V (2018). Semana da Incontinência urinária: Vergonha pode estar a travar a cura. Associação portuguesa de urologia.
- Fisioterapeuta João Parreira
O Crossfit ou Cross Training caracteriza-se por um treino que integra movimentos balísticos, rápidos, sucessivos e de alta-intensidade.(Klimek et al. 2017)
A adesão a esta modalidade tem-se mostrado crescente nos Estados Unidos e creio que por cá também poderei dizer que sim, pois a quantidade de espaços onde se pode praticar esta modalidade é cada vez maior.
Segundo a American College of Sports Medicine, o Cross Training traz benefícios para a saúde, mas, como para qualquer prática desportiva, são lhe reconhecidos alguns riscos. (Bergeron et al. 2011)
Nos últimos tempos, têm surgidos vários artigos de opinião na internet para a existência de um perigo acrescido na prática desta modalidade de treino. Alertando, por exemplo, para o surgimento de lesões musculares graves como a rabdomiólise, devido à alta-intensidade e repetição dos exercícios. Um artigo de opinião do The Huffington Post, refere isso mesmo (com hiperligação).
Dos estudos, até agora conhecidos, sobre a incidência de lesões em praticantes de Cross Training o risco de lesões é idêntico ao de atletas de halterofilismo, ginástica, corrida, rugby, basebol, hóquei no gelo ou mesmo futebol. (Klimek et al. 2017; Montalvo et al. 2017)
Sendo que, por exemplo, o futebol, o hóquei no gelo e o basebol apresentam um taxa de lesões superior ao Cross Training (Hak et al. 2013).
As zonas de lesão mais referidas situam-se nos ombros, na região lombar e nos joelhos. (Weisenthal et al. 2014; Montalvo et al. 2017)
Num dos estudos, onde foram inquiridos 386 praticantes, as queixas mais autorreportadas foram a dor, a inflamação e episódios traumáticos de entorse. Situações de luxação ou fratura foram apenas reportadas por 5 pessoas nesse estudo. (Weisenthal et al. 2014)
Nestes mesmos estudos não são referidos casos de lesões graves como a rabdomiólise. A referência a casos de rabdomiólise parecem ser pontuais e relatados na internet sem uma base factual séria, que precisa ser estudada.
É claro que, como a modalidade é relativamente recente, os estudos existentes sobre as lesões no Cross Training, em atletas comuns, ainda são reduzidos. No entanto, futuramente, é expectável que surja mais investigação para nos ajudar a conhecer e compreender cada vez melhor os efeitos desta modalidade de treino nos seus praticantes.
No entanto, a American College of Sports Medicine deixa algumas recomendações para a prática do Cross Training, como: a introdução progressiva dos exercícios, o assegurar o descanso adequado entre exercícios ou a monitorização de sinais emergentes de fadiga e de desgaste muscular ou lesão (Bergeron et al. 2011).
Concluindo, como em qualquer prática de exercício físico existem benefícios e riscos. Sendo que os riscos poderão ser minimizados se garantirmos que o treino se realiza de forma segura e adaptada às características de cada praticante.
O Cross Training pode e é um treino seguro desde que o comportamento dos seus praticantes seja o mais correto e monitorizado.
Daí que seja importante consultar o seu professor ou profissional do exercício para melhor o ajudar a garantir um treino adequado às suas capacidades físicas. Da mesma forma, que poderá recorrer à avaliação do seu fisioterapeuta ou outro profissional de saúde para assegurar que os exercícios solicitados no Cross Training não prejudicarão as possíveis queixas ou problemas de saúde já existentes.
Referências Bibliográficas:
Klimek, C, Ashbeck, C, Brook, AJ, Durall, C. (2017). Are Injuries More Common With CrossFit Training Than Other Forms of Exercise? Journal of Sport Rehabilitation, 1-10 DOI: https://doi.org/10.1123/jsr.2016-0040 (accepted article)
Bergeron, MF, Nindl, BC, Deuster, PA, et al. (2011). Consortium for Health and Military Performance and American College of Sports Medicine Consensus Paper on Extreme Conditioning Programs in Military Personnel.
Current Sports Medicine Reports. American College of Sports Medicine. p.p. 383-389
Weisenthal BM, Beck CA, Maloney MD, DeHave KE, Giordano BD. (2014). Injury rate and patterns among CrossFit athletes. The Orthopaedic Journal of Sports Medicine. 2(4). DOI: 10.1177/2325967114531177
Hak PT, Hodzovic E, Hickey B. (2013) The nature and prevalence of injury during CrossFit training. Journal of Strength and Conditioning Research. DOI: 10.1519/JSC.0000000000000318
Montalvo, AM, Shaefer, H, Rodriguez, B, Li, T, Epnere, K, Myer, GD.(2017). Retrospective Injury Epidemiology and Risk Factors for Injury in CrossFit. Journal of Sports Science and Medicine 16(1), 53-59